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Expressão da Imaginação

Aqui solto a minha mente, para que ela possa sobrevoar os céus dos sete mares. Não posso especificar ao certo o que vou abordar aqui, pois a vida é tudo menos previsível. Mas fica um pouco e deixa te perder...

Expressão da Imaginação

Aqui solto a minha mente, para que ela possa sobrevoar os céus dos sete mares. Não posso especificar ao certo o que vou abordar aqui, pois a vida é tudo menos previsível. Mas fica um pouco e deixa te perder...

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Dores que nos acompanham.

ben-white-132978.jpgHá palavras que doem. Por vezes até são as nossas. Doem-nos na alma e no peito. Ecoam na nossa mente. Há pensamentos que doem. E o pior é que não lhes podemos fugir. Pertencem-nos. A nós e a mais ninguém. Mas doem. A nós, exclusivamente. De tal forma que abrem feridas que pensávamos terem cicatrizado por completo. Mas estas dores abrem a nossa alma, por muito bem cicatrizada que a mesma esteja. E de cada ferida caí uma lágrima, que impede que esta sangre, volta a curá-la. Numa cicatrização molhada as feridas de novo se fecham, mas permanecem lá, para cada vez que te lembres, cada vez que oiças aquilo que não deves, sintas a dor de quando te feriste. Faz parte. Vivemos assombrados por todas essas feridas que nos cobrem a alma. Nem todas cicatrizam, por vezes, de tamanha a sua profundidade. Nem todas o fazem rapidamente, do quão doloroso foi aquele golpe. Mas continuamos vivos, no meio desta mágoa que nos forma, sobrevivemos. E no meio dela, também, arranjamos espaço para nos preencher, para nos curar, para nos aquecer. Arranjamos espaço para tudo de bom que a vida tem para nos trazer.

 

Photo by Ben White on Unsplash

Caminhos por cruzar.

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Tudo o que faltou foi alguém que se importasse. Alguém que lhe dissesse que a vida valia a pena. Que não valia a pena chorar por quem não merecia. Mas não um alguém qualquer, um alguém que ela amasse, mas que também a amasse a ela. Faltou alguém com um coração cheio de curativos, pronto para tratar as feridas dela.  Alguém que quisesse que ela vivesse, mas que vivesse cheia de si, e cheia de luz de pó estelar, algures espalhado por dentro dela.

Tudo o que faltou foi alguém que entendesse. Alguém que dissesse que os homens também choram, e que não são menos por causa disso. Alguém que lhe desse um ombro, mas também um carinho. Mas não um alguém qualquer, um alguém que ele amasse, mas que também o amasse a ele. Faltou o apoio que mais ninguém deu. Faltou o amor que só ela trazia, para que os olhos dele brilhassem de novo, no seu doce tom de âmbar, como raios de sol, aquecidos pelo seu coração.

Tudo o que faltou foi um caminho onde se cruzar. Mas tudo o que houve foram estradas paralelas, que jamais se poderiam encontrar, mas que estavam destinadas à semelhança. O seu destino era a dor de amar alguém que não se pode alcançar, não por não conseguir, mas pela própria vida não deixar. Afinal, ambos traziam almas incompletas, destinadas a se completarem, mas que ao primeiro toque destruiriam toda a nossa galáxia. E porquê? Porque neste universo imperfeito, a perfeição é ilegal.

 

Photo by Sweet Ice Cream Photography on Unsplash

Deixa a vida que há em ti crescer.

alessio-lin-270429.jpgHá momentos em que temos de crescer. A vida não é um mar de rosas. Por vezes navegamos de olhos fechados, mas não podemos permanecê-los dessa forma. Vivemos num mundo cheio de riscos, aventuras e alegrias. Nem tudo é bom, mas nem tudo é mau. Toda a moeda tem dois lados, não podes usar apenas um para pagar a despesa, ambos são necessários. Assim como na vida, ambos os lados, bons e maus, são necessários. São os maus que te ensinam a apreciar os bons, já alguém dizia. E afinal, depois da tempestade vem a bonança! Por isso, não vale a pena desesperar, mesmo que chova por semanas, meses, e até anos, o sol há de voltar a brilhar. Nesse dia lembra-te do protetor solar e de beber muita água, nem toda a bondade é meiga, mais vale prevenir do que remediar, ninguém quer que desmaies com a emoção de tudo melhorar. Mas claro que nem tudo melhora. Há coisas que acabam. Há coisas que vão, mas voltam. Na verdade, tudo tem um fim, tu também terás o teu. Não percas tempo demais a aproveitar o que os outros têm. Aproveita aquilo que tu tens, pois tu, tal como todos os outros, estás cheio de coisas! Boas e más, é claro, mas estás cheio, cheio de tudo um pouco. Não te deixes esvaziar. Espalha o que tens de melhor, pois o teu bem nunca há de escassear, desde que bem estimado. És um poço cheio de tudo e de nada. Nem tudo o que parece vazio o está. É necessária muita imaginação para alcançar o que de abstrato por lá há!

Há momentos em que temos de crescer, e a verdade é que por muito que deixemos as palavras dançarem por outras pistas, deparamo-nos sempre com este pensamento, o qual não podemos negar. Crescer, enfrentar o passado que nos assombra, e abraçar o futuro que espera por nós ansiosamente! Deixar para trás o que já não faz falta, para ganhar espaço para aquilo que nos ajudará a evoluir a seguir, e sempre assim, um ciclo sem fim. Todos os dias podemos crescer, através do mundo que nos rodeia e nos preenche de experiências. E faz falta fazê-lo. Vivemos em constante mudança, mudança essa que é, nada mais, nada menos, que preencher a nossa pessoa com coisas novas, experiências, contatos, tudo, a cada segundo. Não tenhas medo de crescer, pois mesmo sem te aperceberes, tu consegues fazê-lo a cada segundo.

 

Photo by Alessio Lin on Unsplash

Palavras violentas.

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Falamos de como as ações valem mais do que palavras. Que “palavras leva-as o vento”. Mas nem sempre seguimos o que dizemos. Por vezes fechamos os olhos às ações, e por outras nem uma pequena brisa passa por nós.

Por vezes as palavras valem muito. Afinal, é através delas que todo o nosso ser social se comunica. Basta que a palavra alcance o nosso coração tão certeiramente como uma flecha, para abrir uma ferida que “fingidamente” estava esquecida. Basta que uma frase nos acerte como um pontapé certeiro que ainda nos leva contra o poste da baliza. As palavras têm mais força do que se pensa. O seu poder é sobrestimado o tempo todo. Por vezes uma pequena palavra atinge-nos onde dói mais. “Agora tocaste-lhe na ferida”. Quem nunca ouviu esta expressão?

Mas por vezes também gritamos palavras sem intenção. Deixamo-nos levar por emoções ruins, que falam por nós. Pegamos no arco e usamos a flecha. Chutamos a “bola” com toda a força, tudo para acertar no poste. Dizemos coisas que nos arrependemos, e que magoam profundamente quem as ouve.

Nem sempre estas palavras violentas são propositadas, mas nem sempre significa que sejam sem intenção. São sempre conduzidas por emoções malvadas, que levaram a consideração que essa pessoa tinha por ti, deixando-a atrás da porta. Por vezes momentaneamente, outras permanentemente. Mas nada como um pedido de desculpas sincero para resolver a situação. Nada como deixar as emoções mais puras e belas ressurgirem na superfície outra vez. Nem sempre é possível… Mas “o que não nos mata torna-nos mais fortes”.

 

Photo by Daniel von Appen on Unsplash

Longe da azáfama.

sean-brown-2384.jpgEu olho à minha volta e é tudo uma grande azáfama. Olho para a esquerda e anda tudo em festas, no seu mundo social, lá vão fazendo alguma coisa por eles, mas preferem noitadas enquanto que os papás cuidam mais pequenos. Esses filhos de uma geração cruel, que experiencia uma amor tão bonito tão cedo, mas ainda não tem capacidade de os amar a full-time. Afinal, com tanto pelo mundo fora, há que distribuir o mal pelas aldeias, há que amar de tudo um pouco. Mas depois olho para a direita, vejo jovens a lutar pela sua vida, seja por necessidade ou por capricho imposto pelos pais que querem vê-los pelas costas e acham que está mais do que na hora de se sustentarem a si próprios. Uns estudam, outros trabalham, e ainda há quem se mate para levar ambas as coisas ao fim. Olho para a frente e consigo ver uma mistura de ambos. Responsáveis, minimamente, mas que ainda querem aproveitar “os melhores anos da sua vida”. Bah. Quais anos quais quê… O que me assusta é quando olho para trás, e foco na minha sombra. A minha sombra não está nem há direita, nem há esquerda, e muito menos misturada com o que encontro à minha frente. A minha sombra está parada, e aprecia o silêncio. O silêncio de quem não faz nada. De quem não vai a festas embebedar-se, de quem não tem filhos a chorarem madrugada fora, de quem não vai beber uns copos, de quem não tem o despertador a tocar para ir trabalhar logo cedo, e muito menos de quem não se ouve reclamar pelo projeto que deveria ter terminado ontem para entregar a tempo e horas.

Eu olho à minha volta e vejo toda esta azáfama, enquanto olho para mim própria e quase consigo ouvir os passarinhos a cantarolar na freguesia vizinha. Se é bom? Toda essa paz, calma, tranquilidade…? Eu gostaria que fosse, mas não é. Estou parada no tempo, enquanto que a vida passa por mim a correr. Estou perdida por pensamentos, que jamais que farão algo mais a não ser sofrer. Mas persigo o meu caminho, mesmo que sentada, mesmo que à espera que um autocarro me leve à próxima paragem. Fico por estas bandas onde uma grande árvore anseia pelas suas flores. Passam todas as estações e nada, mas ela mantém-se firme, mesmo que angustiada. Por isso, enquanto ela espera pelas suas flores, eu permaneço do seu lado, nesta via que escolherá o meu destino, na esperança de um dia também encontrar um campo florido.

 

Photo by Sean Brown on Unsplash

A tempestade que te substituiu.

victoria-bilsborough-232767.jpgTu abandonaste-me. Arrumaste as tuas coisas na tua mala e ainda bateste com a porta, para que eu pudesse ter perfeita noção do que estavas a fazer. Tornaste bem claro que nada te faria mudar de ideias. Tornaste bem claro o quão farta estavas e como a outra era melhor que eu. E eu fiquei impávida e serena, adotei essa postura e assim permaneci. Achei que era melhor assim. Depois de tantas palavras mal-encaradas que trocamos enquanto tudo ardia à nossa volta, achei que nada havia a fazer. Deixei-me dominar pela mágoa que fizeste nascer dentro de mim. Mágoa intensa e profunda, há que admitir. Foram precisas longas horas para acordar para a tempestade que estava a bater à minha porta. Um tornado que te viria substituir. Rapidamente o desencadeei, e já não pude fugir.

Depois de meses a fio neste turbilhão, que todos os dias fere um pouco mais fundo na minha alma, permaneço sentada na mesma cadeira, a mesma cadeira onde outrora estava “impávida e serena”, mas agora cada lágrima que desce o meu rosto multiplica-se por três.

Vivemos na era moderna, onde todos sabem tudo sobre nós, sem nada realmente saber. E assim nasceu o meu vício, de te ter por perto sem sequer te ter. Desta forma é criado um fantasma, que me persegue de noite e de dia. Vagueia por esta casa, ao mesmo tempo que permaneço sentada, no meio desta ventania. Os meus longos cabelos esvoaçam e quase se soltam de mim, mas isso não me incomoda, incomoda-me a felicidade que hoje só pertence a ti.

 

Photo by Victoria Bilsborough on Unsplash

Espelho do passado.

logan-ripley-285309.jpgEntre projetos inacabados eu perco-me. Gosto de tanto, mas tão pouco. Encontrar algo que nos agarre pelo peito e nos leve para bem longe é, por vezes, tão difícil. Talvez seja por isso que por cada vez que me olhe ao espelho veja o reflexo de um passado longínquo. Talvez, lá no fundo, eu tenha esperança de encontrar alguma resposta no meio de reflexos encantados, à espera que algum sinal tenha passado despercebido naquela época. Mas vejo-me cada vez mais presa e incapaz de perseguir novos rumos. Agarrada a memórias de quem partiu, palavras de quem me deixou, e abraços que já arrefeceram. Agarrada a quem me fez bem, por não querer perder o que a sua bondade tem para me oferecer. Mas agarrada também a quem me fez mal, e à dor que me trouxe, e a como não a posso esquecer para a reconhecer se de novo me bater à porta. Mas de nada serve. Se vivo no passado, vivo numa repetição de acontecimentos, num ciclo vicioso onde tudo se refaz de uma forma igual a anteriormente. Por isso, que venham as bondades! Que me encantem o coração, e o enfeiticem, para me deixarem algo novo a que me possa agarrar. Que venham as maldades! Que venham as lágrimas derramadas por quem não merece, pois eu estou pronta para cometer os mesmos velhos erros de novo, só para recordar como o meu coração sangrou e porquê. Tudo não passa de uma ilusão… Penso que estou a superar cada detalhe, mas só encontro mais pérolas perdidas para colocar ao pescoço. E ó… Como este colar pesa! E mesmo assim, aqui estou eu, revendo quem partiu, ouvindo de novo as palavras de quem me deixou, e abraçando de novo os fantasmas de quem se afastou e foi aquecer outras bandas. Hoje, ganho noção, mas ainda é recente e pequena. O colar ao meu pescoço impede-me de olhar em frente, pela quantidade ridícula de pérolas que trás consigo. Só espero que um dia consiga quebrar este feitiço.

 

Photo by Logan Ripley on Unsplash

Natureza, conta-me uma história.

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O vento sopra uma melodia agradável. Oiço histórias de amor contadas por serenadas, com o único som de uma guitarra. Lindas as palavras que dois olhares trocam, vindas de corações há muito tempo apaixonados, que jamais pensariam unirem-se finalmente. Quando temos o amor do nosso lado, mas jamais lhe damos o seu devido valor, precisamos de nos perder e sentir o seu vazio para que nos possamos livrar dessa dor.

No meio de sussurros oiço vozes a conspirarem, não são de cá, falam todas as línguas, mas acima de tudo falam a língua do amor. Os pássaros cantam enquanto que o som da chuva vai diminuindo, assim como o soluçar de alguém que pensava tudo já ter perdido. Será bom presságio? Será que finalmente almas separadas à nascença se poderão encontrar de novo e seguir o rumo que sempre lhes pertenceu?

E no meio de tudo isto finalmente percebi a história que me contavam. História que começa onde ela nunca quis saber dele, ela vivia por entre máscaras que não só lhe cobriam a face, cobriam todo o seu ser, mas ele via para além disso. Ele enxergava o seu coração e tudo de bom que o seu ser trazia. O destino trocou-lhes as voltas diversas vezes, foi preciso a vida pregar a ambos o seu maior susto, tirando o chão desta rapariga, que ao perceber que a alma que teriam separado dela era a que estava do seu lado, a correr risco de vida.

E como qualquer outra história, mostram-nos o seu melhor final. No meio da ventania, e de sussurros vindos do céu, dizem-me apenas como ela abre finalmente os seus olhos perante o seu verdadeiro ser, correndo para os braços dele a tempo, ainda, de o ver sobreviver.

Ó amor! Diz-me apenas… Estas histórias que vêm de ti, são apenas tu que inventas? Dá-nos este sabor, a nós, meros mortais, deixa-nos saber que afinal tu nos trazes um final feliz, com os braços livres de custos e cobranças.

 

Photo by Toa Heftiba on Unsplash

A pedido da razão.

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Pedi-te que esperasses. Que me desses outra oportunidade. Tu limitaste-te a me virar as costas de novo, fechaste a porta e seguiste o teu caminho.

Pedi-te que esperasses. Não tomes decisões precipitadas. Atiras-te de cabeça assim que vês um penhasco, mas nem sempre a queda será suave.

Pedi-te que tivesses juízo. Que não te deixasses envolver tanto nas tuas loucuras, loucuras essas que não te levam a lado nenhum, só te endoidecem mais.

Pedi-te que tivesses juízo. Conheço essa tua impulsividade como jamais outro ser conseguirá. Sei que correrás para os braços errados, tão iludido de amor, mas só queres atenção.

Pedi-te que me ouvisses. Que me ouvisses uma última vez. Sei o quão errado estás, mas por teimosia não queres ver.

Pedi-te que me ouvisses. Afinal eu sou o teu melhor conselho. Querido coração, foste embora, trancaste essa porta que me prende por entre estas quatro paredes, e aqui fico eu, a razão que tu nunca aceitaste.

 

Photo by Annie Spratt on Unsplash

Vinte e dois meses.

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Neste momento em que escrevo faltam seis dias para o teu aniversário. Mas não estarás cá para o celebrar. Seriam 87 anos, 87 anos de alegrias e batalhas vencidas, se não fosse a última que te levou de nós. No entanto este texto vem à vista de todos no dia que faz um ano e dez meses que nos deixaste… E todos pensarão que falo do meu avô, afinal ainda sou uma garotinha, a garotinha que tu disseste já não precisar de ti, mas pai, como tu te enganaste! Fazes-me falta a cada suspiro, fazes-me falta a cada segundo, a cada tropeço, a cada pequena vitória. Vitórias essas que jamais serão tão vitoriosas como outrora foram, porque hoje não as posso celebrar contigo do meu lado. As palavras lutam na minha mente, todas elas se dirigem a ti, todas elas querem ir para o teu lado, pois sabem o homem especial que eras. Eras, és, e sempre serás. É assim que te guardo no coração. Mas sabes que nem tudo é perfeito, e só te posso dizer o quanto eu receio! Receio esquecer-me do teu cheiro, da tua voz, do teu rosto, do teu colo… Só tu tinhas o dom de me acalmar, nos momentos de maior sofrimento vinhas devagarinho e olhavas para mim com aquela cara de desgosto, aquele olhar de “como posso eu ser tão incapaz de parar o sofrimento da minha pequena”, e só de pensar sinto as facas abrirem-me o coração. As lágrimas percorrem a minha face incessantemente, formam oceanos por ti, para mostrar a tua grandeza e força, para mostrarem que jamais serás esquecido por completo. Dói-me o peito, mas quando me falam de ti, sejam memórias mais antigas ou do fim, esboço um sorriso, um sorriso sincero, um sorriso que mostra o quanto me orgulho da marca que deixaste em cada pessoa cuja vida frequentaste. Mas admito, nunca me orgulharei tanto como da marca que deixaste em mim, a marca de pai confundido por avô, a marca de dedicação e de amor. E no meio de tanta lágrima sorrio, tal e qual como no naqueles dias escuros, pois as boas memórias permanecem e ressurgem mesmo no meio de tanta dor e sofrimento. As boas memórias mantêm-se no meu peito, mas o simples facto de seres tu que lá está torna qualquer memória numa bonita… E num suspiro por entre soluços de lágrimas que jamais param, espero que onde quer que estejas te lembres de mim, e te lembres to quanto eu te adorarei para sempre!

Abismos enfeitiçados.

vladislav-klapin-221346.jpgE de repente uma alucinação que ameaçou o meu coração. “Ama-o outra vez”, sussurrava uma voz ao meu ouvido, que me perseguia e me iria assombrar para o resto dos meus dias.

Engraçado como tudo isto começou que nem um jogo, um fingimento qualquer, tanta coisa poderia definir todo o seu início. Mas eu era nova e não sabia o que fazia. Impulsiva, ainda hoje, surpreendo-me com estúpidas ações. Assim que uma miragem tua aparece diante de mim, percebi que eu não estava livre de perigo. Percebi o quão gigante o risco seria, e que eu tropeçaria nesse abismo de novo. Não que eu tivesse saído do tal abismo, eu permanecia algures por lá, sem forças já há algum tempo, mas pronto, a verdade é que lá por dentro haveria outro abismo à minha espera. Sim, um segundo abismo no interior de um primeiro. E assim me perdi…

Perdida algures, tentando guiar-me a mim própria, mas sem sucesso algum. A verdade é que estou aqui à tua procura, enfeitiçada novamente como tua fiel súdita. E são feitiços sem fim, que eu jamais entenderei. Ultrapassam o meu coração e seguem rumo ao universo, onde por alguma outra galáxia te encontrarei, e finalmente a minha voz sussurrará ao teu ouvido o quanto eu te amei.

 

Photo by Vladislav Klapin on Unsplash

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