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Expressão da Imaginação

Aqui solto a minha mente, para que ela possa sobrevoar os céus dos sete mares. Não posso especificar ao certo o que vou abordar aqui, pois a vida é tudo menos previsível. Mas fica um pouco e deixa te perder...

Expressão da Imaginação

Aqui solto a minha mente, para que ela possa sobrevoar os céus dos sete mares. Não posso especificar ao certo o que vou abordar aqui, pois a vida é tudo menos previsível. Mas fica um pouco e deixa te perder...

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Sem recursos extra.

A moça atravessa a estrada em direção à estação de comboios. Quando lá chega olha ao seu filippo-ascione-161021.jpgredor, reparando nos pequenos grupos, mas também nos grandes. Àquela hora ela era a única que se encontrava sozinha, longe de todos e até mesmo da realidade. Nos últimos anos a vida dela tem jogado xadrez contra ela. Parece que cada jogada dela é um passo em falso. Pouco a pouco ela vai perdendo cada peça sua naquele tabuleiro. E a vida vai rindo da sua cara! Então de tempos a tempos ela atira-se de cabeça… Nos dias de hoje é fácil encontrar alguém com quem falar. Mas verdade seja dita, o difícil é encontrar quem nos oiça realmente. Então ela atreve-se e dá a cara. Fala com uns quantos desconhecidos à procura do conforto que a vida lhe tirou… Quando para para se olhar ao espelho. No seu reflexo ela só vê tudo o que lhe foi tirado, e como a vida se esqueceu de ir preenchendo esses vazios. Foi ficando mais e mais sozinha. E aí ela decide desaparecer do mapa onde encontrou com quem falar. Porque num coração tão apertado já não cabe mais dor, humilhação, nem mesmo incompreensão. Isto porque até mesmo a solidão que a envolve consegue ser mais acolhedora. Mais acolhedora do que olhares cheios de estranheza. Uns admiram-se de alguém cair assim tão fundo num poço. Outros não percebem como a moça de coração cheio, para tudo e todos, hoje, passado todos estes anos, foge deles por muito que queira reconetar. Afinal, o coração que os enchia cansou-se de esvaziar. Como suportar a dor de sempre dar e nada receber? Algum dia a moça ia escassear…

 

Photo by Filippo Ascione on Unsplash

 

 

Na maravilha do nosso ser.

Num momento inesperado os nossos caminhos cruzaram-se. Isto que hoje vivemos era algo que eu não procurava.christopher-campbell-37569.jpg Mal sabia eu que era tudo o que eu mais precisava! Precisava de um abraço que transmitisse conforto. Precisava de uma gargalhada que despertasse o meu ser e o convidasse para dançar. Precisava de encontrar um novo lar. Precisava de ti e mais ninguém. Alguém que acordasse o mais bonito do meu ser, tudo o que outrora teria sido deixado num coma profundo, que eu pensei ser irreversível. Afinal tu chegaste aqui e provaste o quão errada eu estava. Provaste-me que eu ainda tinha todas as maravilhas do meu ser, por muito que se tivessem escondido numa caverna dentro de mim. E provaste também que havia alguém no mundo à espera de as encontrar. Eu sei que ambas estávamos perdidas, ambas nos esquecemos do que as nossas grutas guardavam. Mas hoje, juntas, vemos que há algo neste mundo que completa cada ser, e tu completas o meu! Eu só posso agradecer o meu despertar, tudo graças a ti. Mas também me sinto mais do que grata, por te ter despertado também a ti.

 

 

Photo by Christopher Campbell on Unsplash

Liberta-te.

ashim-d-silva-112260.jpgQuero saber como sentir. Tenho vivido no meio de ilusões do coração, onde a razão me desperta. O meu coração dá-me doces para eu não lhe pedir nada, e no meio de tanto açúcar esqueço-me de lhe perguntar… Afinal, porque não sabes amar? A razão chama o meu nome, ela sussurra-me ao ouvido sempre que pode. Ela diz que toda a doçura que trago ao peito é ilusória. Não sei se trago um coração assustado… Talvez ele tenha traumas de um passado longínquo, onde por lá desaprendeu como se sentia. Então enche-me de mimos fictícios para eu não reclamar, para eu me iludir, pensando que realmente sou capaz de sentir… Mas é tudo ilusório, ele proíbe-me de qualquer emoção verdadeira. Então eu peço-lhe que aceite a minha ajuda para sarar as suas feridas. Quero curá-lo. Curá-lo o suficiente para que ele se possa atirar de cabeça, para que ele se atreva a dar espaço para a emoção que bate à porta constantemente! Afinal, carrego-o ao peito. Ele vem pesado de feridas e enche-me de doces. Queria que fosse aquele peso que dá gosto carregar… Pelo menos é como o descrevem. Então se cicatrizares não me enchas de açúcares. Deixa-me carregar o peso de sentir. Um peso tão agradável, tão doce também, mas muito mais saudável. Ajuda-me. Liberta-te. Deixa-me ajudar-te. Isto é mútuo. E é para o bem de ambos. De que serve, afinal, carregar-te uma vida toda se vens cheio de cicatrizes e todo ensanguentado? Arruma o teu canto e liberta esse espaço imundo de dor, deixa que as emoções possam fluir! Se no fim tudo estiver bagunçado novamente, a gente limpa… Acho que é assim que funciona?

 

Photo by Ashim D’Silva on Unsplash

Abrir os olhos.

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E foi bom. Olhar para ti e não sentir nada a mais, nada a menos. Tudo igual. Os pássaros mantiveram-se no seu sítio e o suave som das folhas das árvores manteve-se o mesmo. Precisava disto. Precisava de ter esta certeza. Esta certeza que foi tudo um sonho, mesmo, um sonho que eu tive num coma qualquer. Ter esta certeza que não há nenhum sentimento que me agarre a ti. Ter a certeza que todas estas marés que sobem e descem nunca tiveram um verdadeiro significado. Fiquei com a certeza de que tudo o que eu via nestas marés foi tudo uma ilusão. Um romance que eu criei na minha cabeça. Nunca me apaixonei realmente, mas sou apaixonada por histórias. Sou apaixonada por histórias e por delírios. Foi tudo um conto que escrevi na minha cabeça. Sabes… Para ocupar o tempo! Para fingir que era capaz de sentir algo, não só por ti, mas como com uns outros poucos. Precisava de alimentar esta esperança, esta esperança que um coração que está coberto de pedra pode quebrar a mesma, pelo simples fato de aquecer o suficiente com o seu profundo sentimento. No meio de tantos enigmas e ilusões, tu hoje fizeste-me perceber… Graças a ti acordei desta ilusão sentimental que a minha vida tem sido.

 

Photo by Nathan Dumlao on Unsplash

De quem [ainda] não sabe amar.

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Não conheço o amor. Penso que já me bateu à porta… Aliás, fui eu quem bati à sua porta. Mas ele não estava. Acho que desesperei de tanto esperar. Mantive-me naquela entrada por várias primaveras, verões, outonos e invernos, sem nunca nada alcançar. Queria entregar-lhe o meu coração, para que ele o enchesse de rosas, que me fariam amar e permitiriam que me amassem de volta. Queria suportar cada espinho, cada dia mais murcho por falta de água ou de sol, mas queria ver estas rosas permanecerem com todo o sentimento terno que eu lhes queria oferecer. Queria que partisse de todo o meu esforço. Bati à sua porta todos os dias, por longas estações, como já disse, mas acho que por lá deixei toda a desejada dedicação que tinha para dar às rosas que ele me colocaria ao peito. Talvez ele soubesse essa minha fraqueza, talvez tenha sido por isso que ele nunca abriu a porta. Por isso, hoje, pelo menos, digo que não o conheço. Sei onde ele mora, mas não tive a oportunidade de o alcançar. Já acarinhei diversas pessoas no meu coração. Já fiz promessas e juras de toda uma paixão. Eu acreditava que conhecia a beleza de sentir, hoje olho para trás sem saber para onde ir. Por vezes parece que sei muito, mas são tudo ideias soltas na minha mente, de um livro que jamais poderei ler. Um livro que nunca li, mas sempre procurei. Sento-me rodeada de citações, à espera de o encontrar. Ainda há muito em mim que tenho de alcançar, rodear-me de citações não é suficiente. Afinal o universo só nos dá algo quando o merecemos, quando estamos prontos, preparados. E eu, no meu mundo ilusório permaneço, à espera de um dia conhecer a pureza de tamanho sentimento. Sentimento que vem com grandes bagagens emotivas, vantagens e desvantagens escolhidas. Não escolhemos a quem o entregamos, junto com o nosso coração, mas definitivamente escolhemos se fazemos todos os sacrifícios incluídos ou não. É uma viagem só de ida, quando conhecemos não podemos voltar atrás. Inundados com a sua pureza, jamais queremos voltar à inocência. Inocência de não conhecer tamanha emoção que nunca fará sentido à própria razão. Espero que um dia cresça, que deixe esta tamanha inocência, que comande a minha razão a dar espaço ao que pertence ao coração.

 

Photo by Annie Spratt on Unsplash

Lamentações mal entregues.

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Lamento. Lamento as mágoas que contigo partilhei. Lamento os tormentos que só a ti te entreguei. Lamento. Lamento os desabafos que coloquei nas tuas mãos. Lamento as minhas dores, as minhas palavras, os meus desassossegos e as minhas lágrimas. Lamento o meu pessimismo que te consumiu. Lamento as nuvens que o teu céu cobriu. Lamento não te ouvir, não ouvir os teus conselhos e as palavras de ânimo, que tu aclamas como eu as desprezei. Lamento tanto, tanto mal que, mesmo não vendo, te causei. Lamento o tempo que te tirei, lamento todas as vezes que te incomodei. Mas lamento, lamento muito, muito mesmo, lamento a minha falta de amor próprio que te enche com pedidos de desculpas. Por isso eu desculpo-me. Desculpo-me por te amar, por apreciar quem és, não devia rebaixar-me a gente como tu. Desculpo-me por não te ter incomodado mais, por não ter usado mais do teu inútil tempo. Desculpo-me por ter apenas coberto o teu céu, e não deixar que a trovoada se aproximasse. Desculpo-me por não ter deitado todos os teus conselhos de fora, como tu, ao que parece, sempre achaste. Desculpo-me por não ter criado um mar com as minhas lágrimas, onde tu te afundasses. Desculpo-me pelas tempestades que não cheguei a te entregar, tudo por não querer incomodar. Desculpo-me por ter tanto medo de te incomodar, quando tu merecias esse incómodo. Desculpo-me por te ter respondido, e por tanto tempo contigo ter perdido, mas essas desculpas serão entregues a mim própria. Por isso, a mim mesma digo que me desculpes, por todo o tempo desperdiçado, por todo o esforço largado, e por não te amar mais, não te encher de tudo o que precisas, peço desculpa à minha pessoa, pela falta de dedicação que tanto merecia. Com amor, eu própria, que prometo mudar o meu mundo.

 

Photo by Jeremy Bishop on Unsplash