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Expressão da Imaginação

Aqui solto a minha mente, para que ela possa sobrevoar os céus dos sete mares. Não posso especificar ao certo o que vou abordar aqui, pois a vida é tudo menos previsível. Mas fica um pouco e deixa te perder...

Expressão da Imaginação

Aqui solto a minha mente, para que ela possa sobrevoar os céus dos sete mares. Não posso especificar ao certo o que vou abordar aqui, pois a vida é tudo menos previsível. Mas fica um pouco e deixa te perder...

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Longe da azáfama.

sean-brown-2384.jpgEu olho à minha volta e é tudo uma grande azáfama. Olho para a esquerda e anda tudo em festas, no seu mundo social, lá vão fazendo alguma coisa por eles, mas preferem noitadas enquanto que os papás cuidam mais pequenos. Esses filhos de uma geração cruel, que experiencia uma amor tão bonito tão cedo, mas ainda não tem capacidade de os amar a full-time. Afinal, com tanto pelo mundo fora, há que distribuir o mal pelas aldeias, há que amar de tudo um pouco. Mas depois olho para a direita, vejo jovens a lutar pela sua vida, seja por necessidade ou por capricho imposto pelos pais que querem vê-los pelas costas e acham que está mais do que na hora de se sustentarem a si próprios. Uns estudam, outros trabalham, e ainda há quem se mate para levar ambas as coisas ao fim. Olho para a frente e consigo ver uma mistura de ambos. Responsáveis, minimamente, mas que ainda querem aproveitar “os melhores anos da sua vida”. Bah. Quais anos quais quê… O que me assusta é quando olho para trás, e foco na minha sombra. A minha sombra não está nem há direita, nem há esquerda, e muito menos misturada com o que encontro à minha frente. A minha sombra está parada, e aprecia o silêncio. O silêncio de quem não faz nada. De quem não vai a festas embebedar-se, de quem não tem filhos a chorarem madrugada fora, de quem não vai beber uns copos, de quem não tem o despertador a tocar para ir trabalhar logo cedo, e muito menos de quem não se ouve reclamar pelo projeto que deveria ter terminado ontem para entregar a tempo e horas.

Eu olho à minha volta e vejo toda esta azáfama, enquanto olho para mim própria e quase consigo ouvir os passarinhos a cantarolar na freguesia vizinha. Se é bom? Toda essa paz, calma, tranquilidade…? Eu gostaria que fosse, mas não é. Estou parada no tempo, enquanto que a vida passa por mim a correr. Estou perdida por pensamentos, que jamais que farão algo mais a não ser sofrer. Mas persigo o meu caminho, mesmo que sentada, mesmo que à espera que um autocarro me leve à próxima paragem. Fico por estas bandas onde uma grande árvore anseia pelas suas flores. Passam todas as estações e nada, mas ela mantém-se firme, mesmo que angustiada. Por isso, enquanto ela espera pelas suas flores, eu permaneço do seu lado, nesta via que escolherá o meu destino, na esperança de um dia também encontrar um campo florido.

 

Photo by Sean Brown on Unsplash